sexta-feira, 5 de junho de 2009

O DÉBUT DOS DOORS


Havia alguns meses que o DVD estava lá empoeirando na estante. Trata-se da série Classic Albums, este sobre o disco de estréia dos Doors.

Essa série é fantástica. Consegue penetrar nos bastidores da criação do album de modo a tornar ainda mais atraente a audição do disco depois de assistir o documento em vídeo. Recomendo o Catch a Fire, do Bob Marley e também o Dark Side of The Moon, do Floyd.

Mas duas coisas me impressionaram na gravação desse disco. A primeira - que eu nunca havia reparado - é que a levada inicial da percurssão de "Break on Through" é pura bossa nova e o baterista John Densmore, coberto por desgrenhados cabelos grisalhos, diz isso com todas as letras. E não para por aí!

A inconfundível levadinha do baixo - cujas linhas eram buriladas nos teclados de Ray Manzarek - inspira-se em ritmos latinos e a fusão dessa toada de bossa nova e flamenco com a guitarra contida de Robbie Krieger mais a poesia e voz furiosa de Jim Morrison formam o caldo da música que apresenta os Doors para o mundo. Quem diria? Esse som, que nada tinha de bossa e tudo tinha de novo emplacou direitinho.

Aliás, uma correção. Por definição, "bossa" designa uma especial vocação para alguma coisa. E isso os Doors tinham! A bossa nova brasileira vem daí... uma espécie de nova e fértil inclinação para aquela música que nasceu nos apartamentos de Copacabana: suave e cantada baixinho. Por acaso Jim Morrison cantava baixinho? Creio que não.

A segunda curiosidade é que o microfone utilizado na gravação do disco (Telefunken U47) foi prontamente reconhecido por Jim Morrison como o microfone do Frank Sinatra, o que causou surpresa até ao produtor do disco. Sim, Jim Morrison era um admirador do Blue Eyes.

Pensando bem, sabendo-se que os Doors, originalmente ripongas de Venice Beach, eram letrados, alunos do curso de cinema e apreciadores efusivos de jazz, não é de se espantar que Sinatra fosse idólo de Morrison, não é mesmo?

E, assim como o ponto em comum entre a música de Frank Sinatra e a de Jim Morrison limita-se ao microfone; bem assim como a bossa nova para nos primeiros segundos de Break on Through; paro também eu por aqui de me aventurar a falar do que não sei. Quem quiser saber mais que vá ver o DVD. Está repleto de histórias interessantes nos extras (incluindo a análise da letra de Break on Through) e, dos que eu vi da série, é o mais interessante.

Um comentário:

Maldita Futebol Clube disse...

Ricardo, que maneira a bertura do blog! que idéia maravilhosa... sío espero que não esqueça do MFC! cara, o layout só não está melhor do que seus textos! Sou seu fã,nº1 e o primeiro seguidor1 hehehehe abs, Leandro